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11 de março de 2011

Lua de Sangue – Parte VI

É aconselhável ler as partes anteriores de Lua de Sangue.

 Hoje é uma daquelas noites em que me apetece sair e divertir. No meu vocabulário, diversão sempre esteve conectado com os humanos. Eles divertem-me, deslumbram-se e fazem tudo o que quero, até se tornarem irritantes e a caça deixar de ter piada.

Vesti-me a preceito, maquilhei-me e sai. O silêncio na rua fez-me pensar que me tinha perdido no dia da semana. Não parecia sexta-feira. Não havia carros, nem jovens barulhentos à procura de um bar. A rua estava vazia e quando olhei para cima a lua estava tão brilhante que me lembrei de ti. Voltei atrás e entrei no teu apartamento. O teu cão olhou-me por momentos e voltou a dormir. Olhei-te deitado sobre a cama. 

Pareces um anjo, sabias? Um anjo de asas brancas que aos poucos eu torno negras com a minha influência. Admiro a tua inocência, ao dormires com a tua arma pousada na mesinha de cabeceira. Não vives num sítio assim tão perigoso, só eu represento perigo para ti e a tua glock não me mataria, deverias sabê-lo. Sei que continuas a achar-me humana, a pensar em mim como humana. 

Uma vez disseste-me que darias a tua vida por mim. Para ser sincera, achei engraçado e um desperdício inútil da tua vida, mas se ainda respirasse como tu, acharia um acto heróico. Há noites em que lamento a minha condição. Noites em que daria tudo para poder ser como tu. Em que nunca mais me debateria por nada e não fugiria de ti. Tenho a certeza que ficaria contigo até morrer. 

Às vezes, tenho saudades de momentos que não vivi contigo, pois costumavas partilhar o que querias fazer comigo se eu fosse humana e pudesse andar à luz do sol. E nesse momentos, em que se mistura o sorriso com as lágrimas de sangue eu sei que nós não podemos mesmo ficar juntos. Não fomos talhados para isso. E sinceramente, não posso continuar aqui a deixar que me sigas quase todas as noites,a sentir o teu cheiro no quarto cada vez que acordo, sabendo que me vieste ver.

Tens de me esquecer, seguir com a tua vida e encontrar alguém que mereça tudo aquilo que foi destinado a ser meu. Se me vai custar esquecer-te? Não vou tentar fazê-lo. Não vale a pena...tu não vives somente no meu coração, fazes parte de mim de uma maneira impossível de descrever...

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Cláudia Melim.
Fotografa de moda & fantasia em Wicked Wonderland Photography. Residente em Lisboa.

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